“Aí eu paro e penso: com você, só com você, eu imaginei tudo assim. Todas essas coisas de romance bonito de filme, casamento, família, viagens, cachorros, canários, papagaios. Por quê? Porque eu te amo. Porque eu te quero. Porque eu nunca senti por ninguém nada perto do que sinto por você. Porque ninguém fez com que eu me sentisse assim, entregue, na corda bamba, com esse gosto de felicidade na boca.
“Mesmo que você não caia na minha cantada. Mesmo que você conheça outro cara. Na fila de um banco. Um tal de Fernando. Um lance, assim, sem graça. Mesmo que vocês fiquem sem se gostar. Mesmo que vocês casem sem se amar. E depois de seis meses. Um olhe pro outro, e aí, pois é, sei lá. Mesmo que você suporte este casamento. Por causa dos filhos, por muito tempo. Dez, vinte, trinta anos. Até se assustar com os seus cabelos brancos. Um dia vai sentar numa cadeira de balanço. Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos. Vai lembrar de mim e se perguntar. Por onde esse cara deve estar? E eu vou estar te esperando. Nem que já esteja velhinha gagá. Com noventa, viúva, sozinha. Não vou me importar. Vou ligar, te chamar pra sair. Namorar no sofá. Nem que seja além dessa vida. Eu vou estar. Te esperando.
“Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa.
“Você pode conversar com Deus, porque Ele ouve.
Sua voz é importante no Céu. O Senhor leva à sério o
que você diz. Quando uma pessoa entra na presença de
Deus, toda a atenção é dedicada à ele. Não tenha medo:
sua voz não será ignorada. Mesmo que você gagueje,
hesite ou não impressione ninguém com aquilo que tem
a dizer, mesmo assim Deus se importa e ouvirá a sua voz.
“Me desliguei um pouco dessa paranoia de ‘o que os outros vão pensar?’ e agi, segundo a minha vontade, segundo aquilo que eu julgo certo, que se danem os outros, afinal quem vai viver o momento sou eu! E daí se eu acordar arrependida? Pelo menos não terei dormido na vontade! E se eu errar? Ah, arquiva ai como experiência.